PORQUE PRECISAMOS DOS OUTROS PARA SERMOS NÓS.
Um podcast que pretende ser um lugar de diálogo sobre a vida e a morte e sobre as relações que criamos no intervalo. Falaremos sobre o luto, as perdas, a doença e a morte nas diferentes perspetivas ética, estética, clínica, cultural, filosófica, artística e as demais que a vida contém. Promovido pelas Irmãs Hospitaleiras | Casa de Saúde da Idanha no âmbito Projeto de Intervenção Precoce e Apoio no Luto, com o apoio da Fundação La Caixa.
Episodes

Friday Jan 10, 2025
EPISÓDIO #15 - João Dias Ferreira
Friday Jan 10, 2025
Friday Jan 10, 2025
Pensar a morte pode muito bem ser pensar o seu lugar, as pessoas que queremos ao nosso lado e que cuidados desejamos para esta fase. Mas com que recursos e com que apoio?
A estatística demonstra que, em Portugal, a morte e o morrer deslocaram-se da casa de cada um de nós, cidadãos, e transferiram-se para hospitais ou outros lugares clínicos. A experiência de morte e de morrer é, hoje, muito menos aparente em virtude desta mudança. Morre-se mais em hospitais, longe de quem nos é próximo.
Neste episódio, Ricardo Fernandes conversa com João Dias Ferreira, médico paliativista, que tem ocupado um lugar de fala sobre as políticas de saúde em matéria de cuidados paliativos domiciliários. Escreveu textos para o Diário de Notícias e Observador onde alerta para algumas insuficiências do sistema, apontando direções para a melhoria de acesso a estes cuidados.
É médico na Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos de Almada-Seixal. Assistente de Medicina Geral e Familiar na Unidade de Saúde Familiar da Cova da Piedade, Unidade de Saúde Local Almada-Seixal. É Pós-Graduado em Cuidados Paliativos pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e em Cuidados Paliativos Pediátricos pela Universidade Católica Portuguesa. Também Pós Graduado em Gestão na Saúde.
É secretário do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos e é Doutorando em Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Publica da Universidade Nova de Lisboa.

Monday Nov 25, 2024
EPISÓDIO #14 - Emília Fradique
Monday Nov 25, 2024
Monday Nov 25, 2024
As crianças, que têm todas as perguntas do mundo, relembram-nos que há respostas a menos para explicar aquilo que não sabemos dizer. E como explicar a uma criança em CP que tem uma doença grave? Como falar com ela sobre a sua própria morte? E como é, para os profissionais nesta área, acolher esta realidade da criança e dos seus pais e restante família?Os cuidados paliativos pediátricos assumem-se como uma área especial de intervenção pediátrica e pretendem ser globais, abrangentes e para todas as crianças que não vão melhorar da sua doença. São um direito humano básico para todas as crianças com doenças crónicas, complexas e com prognóstico reservado. No entanto, que respostas existem em Portugal? Que percurso já foi feito e que caminho devemos seguir para cumprir os objetivos destes cuidados?
Neste episódio, Ricardo Fernandes conversa com Emília Fradique. É Enfermeira Especialista em Pessoa em Situação Paliativa e uma referência na área dos Cuidados Paliativos Pediatricos em Portugal. Nesta conversa, poderá ouvir sobre a realidade nacional deste tipo de cuidados e reconhecer quais as necessidades e especificidades deste contexto.

Friday Aug 16, 2024
EPISÓDIO #13 - Sofia Teixeira
Friday Aug 16, 2024
Friday Aug 16, 2024
Seremos nós o tempo que nos resta? Se sim, quando confrontados com o diagnóstico de uma doença terminal, como é o testemunhamos? Como é que nos vemos? Como é que nos vêem os outros? Estaremos a morrer ou a viver?Sofia Teixeira, autora do livro “A morrer ou a viver? – histórias de cuidados paliativos” (editado em maio de 2024 com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos) é a convidada deste episódio. Conversou com Ricardo Fernandes, onde nos deixa a pergunta do título do seu livro que não se fecha numa só reposta, mas que nos abre às mais difíceis interrogações.

Monday Jul 08, 2024
EPISÓDIO #12 - Maria Elisa
Monday Jul 08, 2024
Monday Jul 08, 2024
Qual é o peso das palavras? Cancro é uma palavra que assombra a expectativa da maior parte de nós. Desdobra-se em significados e palavras diferentes: medo, angústia, morte, mas também esperança, resilência, amar e cuidar.
Maria Elisa Domingues, figura incontornável do jornalismo em Portugal, escreveu o livro “Amar e Cuidar” após a cirurgia da sua mãe a um cancro de mama. Foi editado em 2012 e nele é partilhada a sua vivência enquanto cuidadora, narrando o seu percurso ao longo da doença da sua mãe. É um trabalho literário cuidadosamente conduzido, onde se encontra a simplicidade das palavras.
Neste episódio, Ricardo Fernandes conversa com a autora, sobre amar e cuidar, sobre os cuidadores informais em Portugal, sobre cuidados paliativos e sobre a sua vivência da doença da sua mãe.
E no título deste livro: amar e cuidar – qual o peso das palavras? Se amar nos expande, cuidar será, talvez, uma forma de confirmar esse mesmo amor.

Monday May 13, 2024
EPISÓDIO #11 - Daniel Blaufuks
Monday May 13, 2024
Monday May 13, 2024
Na última página do livro Não Pai de Daniel Blaufuks, está escrito: no way to say goodbye, fazendo referência à morte de Leonard Cohen. Haverá forma de dizer adeus quando ficou por dizer tudo o resto? Daniel Blaufuks, nascido em Lisboa, conta com um portfólio artístico documentado em fotografia, filme e livro. Interessa-se pela relação entre o tempo e o espaço e, também, pela documentação da memória pública e memória privada. Não pai, editado em novembro em 2019, é um livro escrito após a morte do pai do autor, e é um trabalho sobre o abandono, sobre o exílio, sobre a perda e sobre a contínua procura de uma fotografia que não existe: a do seu pai a seu lado. No último parágrafo do livro, Daniel pergunta: será que tudo passa menos o passado? Pode uma ausência ser mais presente do que uma presença? Neste episódio, Ricardo Fernandes conversa com o autor sobre este livro, explorando temas sobre o luto pelo abandono e a importância da memória e da fotografia para integrar as perdas que vivemos ao longo da vida.

Monday Mar 18, 2024
EPISÓDIO #10 - Alexandra Coelho
Monday Mar 18, 2024
Monday Mar 18, 2024
“Susan Sontag uma vez escreveu: o tempo existe para que não te aconteça tudo de uma só vez e o espaço existe para que não aconteça tudo somente a ti. Talvez uma metáfora para dizer que há dores que são grandes demais para nos chegarem inteiras. E no dor de um luto? Quanto tempo é tempo suficiente e como fica o espaço - dentro e fora de nós - quando perdemos alguém que amamos?
A clínica do luto tem-se revelado importante para a facilitação da adaptação à perda. No episódio de hoje, Ricardo Fernandes conversa com a Dr.ª Alexandra Coelho sobre o luto enquanto eventual problema de saúde mental, abordando fatores de risco, manifestações de luto e de que forma o processo de luto é tão único quanto a pessoa que o vive.”

Monday Jan 29, 2024
EPISÓDIO #9 - Miguel Aguiar
Monday Jan 29, 2024
Monday Jan 29, 2024
Mais do que aquilo que está à nossa frente, o futuro é sempre aquilo que esteve atrás de nós. A humanidade é a continuidade do seu passado.
A história enquanto disciplina académica, ajuda-nos na compreensão do quão dependente estamos dos outros e da forma como viveram antes de nós. As heranças, deixadas em testamento, são um exemplo claro disto mesmo: o futuro é um sintoma do passado. O legado que deixamos após a nossa morte foi o ponto de partida para pensar o episódio de hoje.
Neste episódio, Ricardo Fernandes conversa com Miguel Aguiar, para nos ajudar a pensar e a descobrir alguns detalhes e curiosidades sobre os testamentos em Portugal ao longo da Idade Média.
Miguel Aguiar é doutorado em História pela Universidade do Porto e pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne e especialista em História Medieval. É, desde 2021, membro do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É investigador contratado no projeto Vincullum – Entailing Perpetuity: Familiy, Power, Identity. The Social Agency of a Corporate Body, liderado por Maria de Lurdes Rosa e financiado pelo European Reasearch Council.

Monday Dec 18, 2023
EPÍLOGO.
Monday Dec 18, 2023
Monday Dec 18, 2023
Findada a primeira temporada de episódios apoiada pela fundação La Caixa, a Casa de Saúde da Idanha prossegue com este lugar de fala para nos respondermos – e também para nos perguntarmos – porque precisamos dos outros para sermos nós.
Ricardo Fernandes continuará à conversa com convidados onde a morte, a perda, o luto, os cuidados paliativos e, sobretudo, a vida são o tema central de cada episódio.

Monday Mar 06, 2023
EPISÓDIO #8 - Inês Meneses
Monday Mar 06, 2023
Monday Mar 06, 2023
“A minha mãe foi o meu primeiro país. O primeiro lugar em que vivi. Nayyairah Waheed escreveu este verso onde cabe uma das maiores dores de todas.
A findar a primeira temporada deste podcast, Inês Meneses retorna ao lugar onde esteve no primeiro episódio. Desta vez, para falar na primeira pessoa sobre o seu processo de luto pela perda da sua mãe. Autora do livro de crónicas “O Coração Ainda Bate”, Inês confessa de forma intimista episódios de uma viagem de regresso a seu país, e à sua geografia que só ela conhece: a sua mãe. Embora não soubesse, algumas destas crónicas foram um caminho que fez para o seu luto. “As mães deviam viver para sempre!”, escreveu numa das suas partilhas no instagram, após a morte da sua. Talvez por isso, diga que “o coração da sua mãe bata agora dentro do seu.” Não é uma metáfora, é o pragmatismo maior da vida: quando se silencia um coração, resta o nosso a bater por ele.
Inês Meneses é radialista, escritora e há 15 anos que assina a coautoria do projeto “O Amor é” com o psiquiatra Júlio Machado Vaz. Conduz entrevistas no programa “Fala com Ela”, da Antena1. Neste episódio, Ricardo Fernandes fala com ela sobre a vida e a morte, e o amor que pode acontecer nesse intervalo. O amor, esse substantivo que se pressente nas suas publicações e que está sempre lá quando a espaços fala da perda e do seu luto. Afinal de contas, o amor e a dor da perda, são duas faces da mesma moeda, são duas leituras do mesmo parágrafo.

Friday Feb 24, 2023
EPISÓDIO #7 - Sofia Figueiredo
Friday Feb 24, 2023
Friday Feb 24, 2023
As crianças, que têm todas as perguntas do mundo, lembram-nos que há respostas a menos para explicar o que muitas vezes os adultos não conseguem descrever. No entanto, para onde vão as coisas que perdemos?
Os adultos tendem a proteger as crianças do impacto da perda de alguém significativo: adia-se a transmissão da má notícia, distorce-se a verdade, veda-se o acesso da criança ao velório ou ao funeral, evita-se chorar perto da criança. Enfim, tenta-se minorar o impacto da circunstância, partindo-se da crença errada de que as crianças não têm capacidade para entender a morte e o morrer, correndo-se o risco de as deixar sozinhas a viver sentimentos e pensamentos muito confusos.
Para nos ajudar a entender um pouco melhor sobre o luto nas crianças, Sofia Figueiredo conversa com Ricardo Fernandes. É psicóloga clínica e da saúde, especialista em psicoterapia. É psicanalista de adulto e Psicanalista candidata de crianças e adolescentes da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.

Sobre nós
A Casa de Saúde da Idanha pertence às Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e foi fundada em 1894.
É uma unidade de saúde hospitaleira de referência na prestação de cuidados especializados em Psiquiatria e Saúde Mental, Demências, Reabilitação Global e Lesão Cerebral, Reabilitação Psicossocial, Reabilitação Física e Cuidados Paliativos, com respostas assistenciais aos níveis de ambulatório, internamento e comunitário.